Hoje de novo li que "especialistas" recomendam a aprovação da lei que criminaliza homofobia como forma de reduzir as agressões aos homosexuais. Não consegui entender a lógica. Quer dizer que não bastam as leis que criminalizam a agressão e o assassinato? Elas não são suficientes para proteger os gays? Por dedução, entendo que elas também não são suficientes pra me proteger, certo? Quer dizer que se um cara quiser me bater na rua porque sou feio, porque sou latino, porque uso óculos, porque sou cristão, etc, tudo bem? Nesses casos a lei é suficiente? Somente nos casos dos homosexuais ela não é? Não entendo… Cortar a orelha de um gay, como aconteceu, é mais grave do que cortar a minha orelha? Estamos dividindo agressões em "graves" e "menos graves"? Alguém duvida que isso é reflexo da histeria politicamente correta que tenta criar categorias especiais de pessoas, que tem mais direitos do que outras? É um caminho perigoso, que incita o preconceito mais do que o ameniza. Temos que ser duros com qualquer agressão, principalmente com aquelas por motivo fútil, seja lá qual seja. Ou então que resposta daremos para os índios agredidos, ou crianças agredidas, ou chineses agredidos, ou hispanicos, ou… ? Teremos uma lei para cada grupo? Com punições diferentes dependendo do "valor" de cada um?!? Vejam onde poderemos chegar…
Aí tem a tal passeata do orgulho gay, que é outra coisa que não entendo. Orgulho gay?!? Fiquei pensando se tenho orgulho de ser hétero. Não, somente sou e pronto. É um dado da minha vida. Assim como usar óculos. Assim como ter 1,80m de altura… Parece-me que tentam transformar os gays num grupo uniforme, como se a opção sexual implicasse em opções de comportamento ou políticas. Pode um gay ser de direita? Liberal? Chato? Ranzinza? Acho que nem todos tem que gostar de cores berrantes, plumas e paetes, certo? Conheço alguns homosexuais e são todos muito diferentes entre si. Os que eu mais gosto não ficam me lembrando a todo momento que são gays. Igualmente, não gostaria de gente que ficasse me lembrando a todo momento que é hétero. Não é preciso transformar a opção sexual em assunto, assim como eu também não faço com a minha, e principalmente não é preciso ter orgulho de ser gay. Os que admiro somente são, assim, sem justificativas, naturalmente. O que não os impede de conversar comigo, naturalmente, sobre seus parceiros e parceiras, assim como qualquer pessoa faria.
Estamos investindo cada vez mais na diferenciação das pessoas, na separação, na segregação. Estamos respondendo aos irracionais com mais irracionalidade. É uma receita perigosa que já justificou muita barbaridade mundo afora.
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